Incidência crescente de mortes despercebidas na Inglaterra: um fenômeno perturbador

por Hiroshi Tanaka
5 comentários
Unnoticed Decomposed Deaths

Uma investigação recente realizada em Inglaterra e no País de Gales revelou uma trajetória ascendente desconcertante na descoberta de cadáveres decompostos, lançando luz sobre o impacto do isolamento social e destacando a erosão das redes de apoio social, particularmente entre a população masculina.

Um inquérito investigativo identificou um padrão profundamente preocupante na Inglaterra e no País de Gales, caracterizado por uma incidência crescente de indivíduos descobertos falecidos e em estado avançado de decomposição.

Esta investigação abrangente, que foi publicada no estimado Journal of the Royal Society of Medicine, postula uma ligação entre a crescente prevalência do isolamento social e estas fatalidades, uma tendência que antecede o início da pandemia da COVID-19.

Lucinda Hiam da Universidade de Oxford e contando com o registrador de histopatologia Dr. Theodore Estrin-Serlui do Imperial College NHS Healthcare Trust entre seus colaboradores, analisou meticulosamente dados provenientes do Office for National Statistics (ONS). O seu escrutínio identificou casos em que corpos foram encontrados em estado de decomposição, utilizando um proxy único: mortes classificadas em R98 (“morte não assistida”) e R99 (“outras causas de mortalidade mal definidas e desconhecidas”) de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e iterações anteriores, coletivamente referidas como “mortes indefinidas”.

Revelações surpreendentes

O estudo revelou um aumento persistente de “mortes indefinidas”, denotando o desaparecimento de indivíduos descobertos em estado de decomposição, abrangendo os anos de 1979 a 2020 em ambos os sexos. Significativamente, a incidência destas mortes entre os homens ultrapassou a entre as mulheres, com um aumento pronunciado destas mortes entre os homens durante as décadas de 1990 e 2000 – um período marcado por um declínio geral nas taxas de mortalidade. Essa aceleração na ocorrência de cadáveres em decomposição, principalmente entre a população masculina, representa uma tendência alarmante e desconcertante, conforme articulado pelos autores.

Theodore Estrin-Serlui observou: “É desanimador que os indivíduos possam permanecer sem vida dentro das suas residências durante dias, semanas ou até períodos mais prolongados sem despertar a consciência da comunidade”. Ele enfatizou ainda: “O aumento de casos de indivíduos descobertos como falecidos e em estado avançado de decomposição sublinha rupturas mais amplas nos sistemas de apoio social formais e informais, um fenómeno que antecede a pandemia. Essas descobertas são profundamente inquietantes e justificam uma investigação imediata e completa.”

Os autores deste estudo seminal instam as autoridades nacionais e internacionais a contemplarem medidas que facilitem a identificação mais perfeita de casos envolvendo indivíduos encontrados em estado de decomposição avançada na recolha de dados de rotina.

Referência: “Um silêncio mortal: por que tem aumentado o número de pessoas encontradas em decomposição na Inglaterra e no País de Gales?” de autoria de Lucinda Hiam, Theodore Estrin-Serlui, Danny Dorling, Martin McKee e Jon Minton, datado de 20 de novembro de 2023, publicado no Journal of the Royal Society of Medicine.
DOI: 10.1177/01410768231209001

Perguntas frequentes (FAQs) sobre mortes decompostas despercebidas

Qual é a principal conclusão da pesquisa?

O estudo destaca uma tendência preocupante de aumento de casos de mortes por decomposição em Inglaterra, particularmente entre homens, indicando uma ruptura nos sistemas de apoio social e isolamento social.

Como o estudo foi conduzido?

O estudo analisou dados do Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS) e identificou casos de mortes em que corpos foram encontrados em estado de decomposição. Utilizou códigos específicos (“R98” e “R99”) para categorizar essas mortes como “mortes indefinidas”.

Quem conduziu o estudo?

O estudo foi conduzido por uma equipe liderada pela Dra. Lucinda Hiam, da Universidade de Oxford, com o envolvimento do registrador de histopatologia, Dr. Theodore Estrin-Serlui, do Imperial College NHS Healthcare Trust, entre outros colaboradores.

Qual é o significado das descobertas?

As descobertas revelam uma tendência perturbadora de mortes decompostas que existia mesmo antes da pandemia de COVID-19. Esta tendência sugere uma questão social mais ampla relacionada com redes de apoio social e isolamento.

Quais são as principais implicações do estudo?

O estudo apela a uma investigação mais aprofundada e urgente sobre os factores que contribuem para estas mortes decompostas e insta as autoridades nacionais e internacionais a considerarem medidas para uma identificação mais eficiente de tais casos na recolha de dados de rotina.

Onde posso encontrar o artigo de pesquisa completo?

O artigo de pesquisa completo intitulado “Um silêncio mortal: por que o número de pessoas encontradas em decomposição na Inglaterra e no País de Gales tem aumentado?” pode ser encontrado no Journal of the Royal Society of Medicine, com DOI: 10.1177/01410768231209001.

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5 comentários

Cientista Entusiasta Dezembro 19, 2023 - 11:43 pm

Uau, dados do ONS usados para isso, legal! Mas devemos resolver esse problema de suporte social o mais rápido possível!

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JornalismoFanático Dezembro 20, 2023 - 12:19 am

Este artigo está na revista Royal Society of Medicine. Impressionante! Confira.

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Observador de Saúde Dezembro 20, 2023 - 12:06 pm

Não há smilies aqui, mas coisas sérias. Precisamos enfrentar esse colapso social, pessoal!

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Leitor123 Dezembro 20, 2023 - 1:23 pm

O estudo é uma verdadeira revelação. Mostra um grande problema com as mortes passando despercebidas na Inglaterra. Precisa de atenção!

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Mente Curiosa Dezembro 20, 2023 - 4:07 pm

Então, a pesquisa diz que há mais mortes por decomposição em homens? Por que? Precisa de respostas!

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